“Existe um comprimido capaz de tratar a apneia do sono sem precisar usar CPAP?”

O AD109 representa uma das linhas mais interessantes de pesquisa farmacológica em Medicina do Sono porque, diferentemente dos medicamentos destinados apenas a aliviar a sonolência ou reduzir o peso corporal, busca atuar diretamente sobre a atividade dos músculos responsáveis por manter a garganta aberta durante o sono.

Mas existe uma diferença fundamental entre reduzir os eventos de apneia em estudos clínicos e demonstrar que um medicamento pode substituir os tratamentos já estabelecidos.

Abaixo está uma proposta de artigo aprofundado, construída a partir dos materiais científicos que você enviou, com linguagem acessível aos pacientes e conteúdo técnico suficiente para valorizar sua atuação como especialista.

AD109: o novo medicamento para apneia do sono pode substituir o CPAP?

Avanços no tratamento da apneia obstrutiva do sono | Atualizado em outubro de 2026

Imagine tratar a apneia do sono tomando um comprimido antes de dormir, sem precisar utilizar uma máscara conectada a um aparelho durante a noite.

Durante muitos anos, essa possibilidade parecia distante. Afinal, a apneia obstrutiva do sono é uma doença caracterizada pelo estreitamento ou fechamento repetitivo das vias aéreas superiores enquanto dormimos.

Como tratar com medicamentos uma obstrução que ocorre fisicamente dentro da garganta?

Essa pergunta começou a ganhar respostas com o avanço das pesquisas sobre os mecanismos fisiológicos da apneia do sono.

Entre os tratamentos mais promissores em investigação está o AD109, uma combinação de atomoxetina e aroxibutinina, desenvolvida para aumentar a atividade dos músculos que ajudam a manter a passagem de ar aberta durante o sono.

Os resultados dos estudos clínicos de fase 3 trouxeram perspectivas importantes, mas também revelaram limitações que precisam ser compreendidas antes de considerar o medicamento uma solução definitiva.

O que é o AD109?

O AD109 é um medicamento oral experimental desenvolvido pela empresa norte-americana Apnimed para o tratamento da apneia obstrutiva do sono (AOS).

Sua formulação combina duas substâncias:

Nos estudos de fase 3, o medicamento foi administrado por via oral, uma vez ao dia, ao deitar, após um período inicial com dose menor de atomoxetina. Isso descreve o protocolo experimental, não uma orientação de prescrição.

O objetivo não é simplesmente provocar sono ou mascarar sintomas.

O AD109 procura interferir em um dos mecanismos responsáveis pela obstrução respiratória: a perda de atividade dos músculos dilatadores das vias aéreas superiores durante o sono.

Por que a garganta fecha durante o sono?

Para compreender o AD109, precisamos primeiro entender como a apneia acontece.

Enquanto estamos acordados, diferentes músculos ajudam a manter a faringe aberta, permitindo que o ar passe livremente em direção aos pulmões.

Entre eles, destaca-se o músculo genioglosso, responsável por movimentar a língua e contribuir para a estabilidade da via aérea superior.

Quando adormecemos, ocorre uma redução fisiológica da atividade muscular.

Em pessoas predispostas, essa redução pode ser suficiente para provocar estreitamento ou colapso da faringe.

A respiração fica limitada ou é interrompida, mesmo que o indivíduo continue realizando esforço para respirar.

O cérebro então precisa reagir à obstrução, frequentemente provocando breves despertares que restauram a passagem de ar.

Esse processo pode se repetir dezenas ou centenas de vezes durante uma única noite.

O resultado pode incluir fragmentação do sono, quedas da oxigenação sanguínea, ronco, sonolência diurna, fadiga e repercussões cardiovasculares e metabólicas.

Entretanto, a apneia não acontece pelo mesmo motivo em todos os pacientes.

Os quatro mecanismos que ajudam a explicar a apneia do sono

A Medicina do Sono tem avançado para além da simples classificação da doença como leve, moderada ou grave.

Hoje sabemos que diferentes características fisiológicas, conhecidas como endótipos, podem contribuir para a apneia obstrutiva do sono.

MecanismoO que acontece
Colapsabilidade anatômicaA garganta apresenta maior tendência ao estreitamento ou fechamento
Resposta dos músculos dilatadoresOs músculos não conseguem compensar adequadamente a obstrução
Limiar de despertarO cérebro pode despertar diante de estímulos respiratórios relativamente pequenos
Instabilidade do controle ventilatório (loop gain)O sistema de controle da respiração reage de maneira excessivamente instável

Esses mecanismos podem coexistir em diferentes proporções.

Um paciente pode apresentar importante obstrução anatômica, enquanto outro pode ter uma anatomia relativamente favorável, mas uma resposta muscular insuficiente durante o sono.

É justamente nesse segundo componente que o AD109 pretende atuar.

Como o AD109 age nos músculos da garganta?

O mecanismo proposto envolve duas vias neuroquímicas.

A atomoxetina aumenta a disponibilidade de noradrenalina nas sinapses nervosas, favorecendo estímulos relacionados à atividade dos músculos dilatadores da faringe.

A aroxibutinina atua sobre mecanismos muscarínicos que contribuem para a redução da atividade desses músculos, particularmente durante o sono REM.

A combinação procura, portanto, preservar parte da atividade muscular necessária para evitar o colapso da garganta enquanto a pessoa dorme.

É uma estratégia diferente do CPAP.

O CPAP utiliza pressão positiva para manter a via aérea aberta mecanicamente.

O AD109 procura aumentar a capacidade do próprio organismo de preservar essa abertura.

Essa diferença é importante porque representa uma mudança no alvo terapêutico: da sustentação mecânica da garganta para a modulação farmacológica de sua atividade neuromuscular.

Contudo, melhorar a resposta muscular não significa necessariamente corrigir todas as alterações anatômicas ou fisiológicas envolvidas na apneia.

Um paciente com obstrução estrutural importante pode continuar apresentando eventos respiratórios mesmo com maior atividade dos músculos dilatadores.

Por isso, a resposta ao AD109 provavelmente não será igual em todos os pacientes.

O que os estudos científicos descobriram sobre o AD109?

A investigação do AD109 evoluiu de estudos iniciais para ensaios clínicos maiores, envolvendo mais de mil pacientes.

Um estudo de fase 2, denominado MARIPOSA, já havia identificado redução dos eventos respiratórios e sinais de melhora da fadiga em determinados participantes.

Posteriormente, foram desenvolvidos dois grandes estudos de fase 3:

SynAIRgy: 646 participantes, com avaliação principal após 26 semanas.

LunAIRo: 660 participantes, com acompanhamento planejado por 51 semanas e avaliação principal de eficácia na semana 26.

Ambos foram desenhados como estudos randomizados, duplo-cegos e controlados por placebo, envolvendo adultos com apneia obstrutiva do sono que não toleravam ou recusavam a terapia com pressão positiva.

É importante destacar que esses estudos não compararam diretamente AD109 com CPAP.

Resultados: quanto o AD109 reduziu a apneia?

Redução média do índice de apneia-hipopneia (IAH) em 26 semanas — análise de política de tratamento

AD109

Placebo

Valores percentuais de redução em relação ao início do estudo; não equivalem a porcentagem de pacientes curados.

Dados dos estudos de fase 3 divulgados em publicações científicas e documentos regulatórios.

Os resultados mostram que o AD109 apresentou redução superior à observada com placebo nos dois estudos.

Entretanto, é necessário compreender o significado clínico desses números.

Uma redução de 44% no IAH não significa que 44% dos pacientes ficaram curados.

Significa que houve uma redução média proporcional na frequência dos eventos respiratórios, em comparação com o valor inicial.

Um paciente com 40 eventos por hora que apresenta redução de 44%, por exemplo, ainda teria aproximadamente 22 eventos por hora, permanecendo na faixa de apneia moderada.

Além disso, análises que consideraram apenas os períodos em que os pacientes permaneceram utilizando o medicamento mostraram reduções maiores: 55,6% no SynAIRgy e 46,8% no LunAIRo.

Esses resultados são importantes para compreender o potencial farmacológico, mas também precisam ser interpretados considerando as interrupções do tratamento.

O AD109 também melhora a oxigenação durante o sono?

Esse talvez seja um dos aspectos mais interessantes dos estudos.

A apneia do sono não deve ser avaliada exclusivamente pelo número de interrupções respiratórias.

Também precisamos considerar a profundidade e a duração das quedas de oxigênio.

É nesse contexto que surge o conceito de carga hipóxica, uma medida que procura quantificar o impacto acumulado das dessaturações associadas aos eventos respiratórios.

Dois pacientes podem apresentar o mesmo IAH, mas ter repercussões fisiológicas muito diferentes.

Um deles pode apresentar eventos breves, com pequenas quedas de oxigênio.

Outro pode apresentar eventos prolongados, acompanhados de dessaturações profundas.

Embora ambos tenham o mesmo número de eventos por hora, a exposição à hipóxia pode ser muito diferente.

No estudo SynAIRgy, a redução da carga hipóxica foi de aproximadamente 44,7% no grupo AD109, comparada a 8,5% no placebo, na análise de política de tratamento.

No LunAIRo, os valores correspondentes foram 37,4% e 7,3%.

Esses resultados reforçam o interesse científico pelo medicamento.

Mas reduzir a carga hipóxica não equivale, por si só, a demonstrar redução de infartos, acidentes vasculares cerebrais ou mortalidade. Esses benefícios clínicos ainda exigem investigação específica.

O AD109 pode curar a apneia do sono?

Essa é uma das perguntas mais importantes para quem está procurando informações sobre o novo medicamento.

A resposta é: não existe evidência de que o AD109 proporcione cura definitiva da apneia do sono.

Uma parcela dos participantes atingiu IAH inferior a cinco eventos por hora durante o tratamento, valor utilizado nos estudos como critério de controle da doença.

Entretanto, alcançar esse resultado enquanto se utiliza um medicamento não significa necessariamente que a apneia desapareceu de maneira permanente.

A apneia obstrutiva do sono é frequentemente uma condição crônica e multifatorial.

A anatomia da faringe, o peso corporal, o envelhecimento, o controle neuromuscular e outras características individuais podem continuar influenciando o risco de obstrução.

Além disso, muitos pacientes apresentaram melhora parcial, mas permaneceram com apneia residual.

Por isso, mesmo que o medicamento venha a ser aprovado, será fundamental verificar a resposta individual com avaliação clínica e, quando indicado, exames objetivos do sono.

Quais são os efeitos colaterais do AD109?

Toda inovação terapêutica precisa ser avaliada considerando não apenas a eficácia, mas também a segurança e a capacidade do paciente de manter o tratamento.

No SynAIRgy, os eventos adversos relatados com maior frequência no grupo AD109 foram:

Evento adversoFrequência relatada
Boca seca (xerostomia)35,4%
Insônia20,6%
Náusea11,4%
Dificuldade para iniciar a micção (hesitação urinária)8,9%

Outro resultado relevante foi a interrupção do tratamento: 21,2% dos participantes que receberam AD109 descontinuaram a medicação antes do encerramento do estudo, em comparação com 3,1% no grupo placebo, conforme o material de análise do SynAIRgy fornecido.

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Isso merece atenção.

Um medicamento pode demonstrar eficácia durante sua utilização, mas sua utilidade na prática também depende da tolerabilidade e da adesão ao longo do tempo.

A presença de atomoxetina e de um agente antimuscarínico também torna relevante a avaliação de condições cardiovasculares, pressão arterial, frequência cardíaca, sintomas urinários, glaucoma e possíveis interações medicamentosas.

Os estudos excluíram determinadas condições clínicas, incluindo doenças cardiovasculares instáveis e hipertensão acima dos limites estabelecidos pelo protocolo.

Essas informações não significam que todos os pacientes apresentarão problemas, mas mostram por que não seria adequado considerar o AD109 um comprimido simples, isento de riscos ou apropriado para automedicação.

Melhorar o exame significa necessariamente melhorar o cansaço?

Não.

Um dos achados mais relevantes do SynAIRgy foi a ausência de diferença estatisticamente significativa entre AD109 e placebo no desfecho de fadiga medido pela escala PROMIS, com valor de p = 0,059.

Em outras palavras, a melhora objetiva dos eventos respiratórios não foi acompanhada de demonstração estatística convincente de melhora da fadiga nesse desfecho específico.

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Isso não prova ausência de benefício sintomático para todos os pacientes.

Mas mostra que precisamos separar três questões:

  1. O medicamento reduz eventos respiratórios?
  2. O medicamento melhora a oxigenação?
  3. O paciente efetivamente se sente melhor, funciona melhor durante o dia e apresenta benefícios sustentados para a saúde?

São perguntas relacionadas, mas não equivalentes.

Na Medicina do Sono, o objetivo não deve ser simplesmente melhorar números em uma polissonografia.

O objetivo é tratar a doença e melhorar a vida do paciente.

AD109 ou CPAP: qual é o melhor tratamento para apneia do sono?

Atualmente, não existem evidências suficientes para afirmar que o AD109 seja superior ao CPAP.

Os dois tratamentos seguem princípios diferentes.

CaracterísticaCPAPAD109
MecanismoPressão positiva mantém a via aérea abertaModulação da atividade neuromuscular da faringe
AdministraçãoMáscara e equipamento durante o sonoComprimido oral experimental
EficáciaElevada quando bem ajustado e utilizadoRedução parcial, variável entre pacientes
Evidência clínicaAmpla experiência e estudos de longo prazoEstudos de fase 2 e 3
Principal limitaçãoAdaptação e adesão ao equipamentoEfeitos adversos, descontinuação e resposta variável
Situação atualTratamento estabelecidoEm análise regulatória

O CPAP permanece uma das principais opções terapêuticas, especialmente na apneia moderada a grave e em pacientes com sintomas importantes.

Sua grande vantagem é oferecer sustentação mecânica da via aérea, independentemente de muitos dos mecanismos que provocam seu fechamento.

Entretanto, sabemos que nem todos os pacientes conseguem se adaptar ao equipamento.

Desconforto com a máscara, sensação de claustrofobia, vazamentos, ressecamento nasal e dificuldades de adaptação podem comprometer a utilização.

É justamente nesse cenário que um tratamento farmacológico eficaz e seguro poderia ampliar as possibilidades terapêuticas.

O AD109 não precisa necessariamente substituir o CPAP para representar um avanço. Poder oferecer uma alternativa adicional aos pacientes que não toleram a pressão positiva já seria uma contribuição importante.

Leia mais Ronco Não é Normal: O Relato de Quem “Renasceu” com o CPAP – Dr. Ronco

Quem poderia se beneficiar mais do AD109?

Essa pergunta ainda não possui uma resposta definitiva.

Do ponto de vista fisiopatológico, é plausível que pacientes cuja apneia tenha contribuição importante da resposta muscular insuficiente das vias aéreas superiores apresentem interesse particular para essa estratégia.

Por outro lado, alterações anatômicas acentuadas, como hipertrofia importante das amígdalas, determinadas deformidades craniofaciais e colapsabilidade elevada da faringe, podem exigir outras abordagens.

Entretanto, essa hipótese de seleção por endótipos ainda não constitui um critério clínico validado para prescrever AD109.

Os estudos incluíram participantes com diferentes graus de gravidade, mas excluíram determinadas condições clínicas e anatômicas. Portanto, seus resultados não podem ser automaticamente extrapolados para todos os pacientes com apneia.

É nesse ponto que a avaliação individualizada por um especialista continua fundamental.

E a sonoendoscopia? Ela poderia ajudar na escolha do tratamento?

A sonoendoscopia, também chamada de DISE (Drug-Induced Sleep Endoscopy), permite observar dinamicamente os padrões de obstrução da via aérea superior durante um estado de sono induzido por medicamentos.

O exame pode identificar colapsos no palato, nas paredes laterais da faringe, na base da língua e na região da epiglote.

Essas informações são especialmente úteis no planejamento de determinados tratamentos cirúrgicos e na seleção de algumas terapias não cirúrgicas.

Contudo, é importante estabelecer uma distinção:

Ainda não foi demonstrado que a sonoendoscopia consiga prever de maneira validada quais pacientes responderão melhor ao AD109.

A DISE avalia padrões anatômicos e dinâmicos de colapso, mas não mede diretamente todos os endótipos fisiológicos envolvidos na apneia.

No futuro, a combinação de informações da polissonografia, exame físico, anatomia e características fisiológicas poderá contribuir para uma seleção mais precisa de tratamentos farmacológicos.

Essa perspectiva é promissora, mas ainda precisa ser confirmada por pesquisas.

Leia mais aqui Onde minha garganta fecha? Já fiz a polissonografia: preciso fazer uma sonoendoscopia? – Dr. Ronco

O AD109 é o único medicamento investigado para apneia do sono?

Não.

A busca por tratamentos farmacológicos tem avançado em diferentes direções.

Uma delas procura modificar os fatores que contribuem para a apneia, especialmente a obesidade.

A tirzepatida, por exemplo, representa uma abordagem distinta, pois melhora a apneia predominantemente por meio da redução do peso corporal em pacientes com obesidade.

Nos Estados Unidos, a tirzepatida recebeu aprovação da FDA para apneia obstrutiva do sono moderada a grave em adultos com obesidade em dezembro de 2024. No Brasil, a Anvisa aprovou essa indicação para Mounjaro em outubro de 2025, conforme o material de atualização fornecido.

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O AD109 segue outra lógica: busca agir diretamente na atividade muscular da via aérea superior.

Isso é particularmente interessante porque a apneia também pode ocorrer em indivíduos sem obesidade.

Entretanto, o fato de um medicamento ter um mecanismo de ação promissor não significa que seja indicado para todos os pacientes, independentemente do peso ou da anatomia.

Quando o AD109 estará disponível no Brasil?

Ainda não aprovado para uso clínico

Até outubro de 2026, o AD109 permanece um medicamento investigacional.

A fabricante Apnimed submeteu o pedido de aprovação à agência regulatória norte-americana FDA, que aceitou a solicitação para análise em julho de 2026.

A data-alvo anunciada para a decisão regulatória é 28 de fevereiro de 2027. Isso não representa garantia de aprovação nessa data.

09:00

A empresa também divulgou Oxnimbi como nome comercial proposto para o AD109, ainda condicionado à aprovação regulatória.

16:39

Existe uma particularidade técnica: o protocolo publicado dos estudos descreve 2,5 mg de aroxibutinina associados a 75 mg de atomoxetina, enquanto a documentação do pedido regulatório menciona a formulação proposta de 2,3 mg de aroxibutinina e 75 mg de atomoxetina.

09:00

No Brasil, não há aprovação da Anvisa identificada nas fontes consultadas para uso clínico do AD109.

Mesmo uma eventual aprovação nos Estados Unidos não significa disponibilização automática no mercado brasileiro.

Perguntas frequentes sobre o AD109

O AD109 é um remédio para ronco?

Ele está sendo investigado para o tratamento da apneia obstrutiva do sono, e não simplesmente para eliminar o ronco isolado. Embora ronco e apneia frequentemente coexistam, não são condições equivalentes.

O AD109 pode substituir o CPAP?

Ainda não há evidência de equivalência ou superioridade em relação ao CPAP. O AD109 foi comparado com placebo, principalmente em pacientes que recusavam ou não toleravam pressão positiva.

Quem tem apneia grave poderá tomar AD109?

Os estudos incluíram participantes com apneia leve, moderada e grave. Isso não significa que o medicamento isoladamente será suficiente para controlar todos os casos graves. A eventual indicação dependerá dos resultados completos, da aprovação regulatória e da avaliação clínica.

O AD109 é um antidepressivo?

Não. É uma combinação farmacológica experimental para apneia do sono. Um de seus componentes, a atomoxetina, é um inibidor da recaptação de noradrenalina, conhecido por sua utilização no tratamento do TDAH. Isso não torna o AD109 um antidepressivo nem significa que a atomoxetina isolada seja um tratamento estabelecido para apneia.

Posso tomar atomoxetina e oxibutinina por conta própria?

Não. A formulação investigada contém aroxibutinina, que não deve ser considerada intercambiável com a oxibutinina convencional, além de uma combinação e doses específicas. Reproduzir o tratamento por conta própria não corresponde ao uso do AD109 estudado e pode trazer riscos.

O AD109 melhora a sonolência e o cansaço?

Os estudos demonstraram melhora de parâmetros respiratórios, mas os resultados relacionados à fadiga não foram uniformemente positivos. Ainda são necessárias avaliações adicionais sobre benefícios percebidos pelo paciente e resultados clínicos de longo prazo.

O futuro do tratamento da apneia do sono será personalizado

Durante muito tempo, a apneia obstrutiva do sono foi tratada principalmente a partir de sua gravidade, definida pelo número de eventos respiratórios identificados na polissonografia.

Hoje, a Medicina do Sono está avançando para uma compreensão mais individualizada da doença.

Não basta perguntar quantas vezes a pessoa para de respirar durante a noite.

Precisamos entender também por que a garganta fecha, como o organismo responde à obstrução, quais são as consequências fisiológicas e qual tratamento apresenta maior probabilidade de funcionar para aquele paciente.

Nesse cenário, o AD109 representa uma mudança conceitual importante.

Pela primeira vez, uma combinação farmacológica oral direcionada à atividade neuromuscular da faringe alcançou resultados positivos em grandes estudos de fase 3.

Isso não significa que encontramos a cura da apneia.

Também não significa que máscaras, aparelhos intraorais, intervenções cirúrgicas ou outras modalidades terapêuticas deixarão de ser necessárias.

Significa que estamos começando a ampliar as possibilidades de tratamento com base nos diferentes mecanismos responsáveis pela doença.

Talvez o futuro da Medicina do Sono não seja encontrar um único tratamento capaz de resolver todos os casos.

Talvez seja descobrir qual combinação de tratamentos funciona melhor para cada paciente.

E esse é um avanço que merece ser acompanhado de perto, com entusiasmo científico, mas também com responsabilidade.

Dr. Fernando César Mariano Otorrinolaringologista | Área de Atuação em Medicina do Sono Curitiba – Paraná www.drronco.com.br

Conteúdo informativo baseado em pesquisas científicas disponíveis até outubro de 2026. Não substitui avaliação médica individualizada.

Referências científicas e regulatórias

  1. Taranto-Montemurro L. et al. Aroxybutynin and atomoxetine (AD109) for the treatment of obstructive sleep apnea: Rationale, design and baseline characteristics of the phase 3 clinical trials. Contemporary Clinical Trials Communications, 2025. Acessar artigo científico. Documento enviado, com os protocolos e características dos estudos. medicação para SAOS AD109.pdf
  2. Resultados publicados do estudo SynAIRgy, American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine, maio de 2026. Consultar divulgação e resultados.
  3. Resultados do estudo LunAIRo e análises dos dois estudos de fase 3, conforme documentação apresentada à SEC. Consultar dados regulatórios.
  4. Apnimed. FDA Acceptance of New Drug Application for AD109, julho de 2026. Consultar situação regulatória.

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