Contribuição Dr Fernando Mariano em matéria para o Jornal Bem Paraná

Sonoendoscopia, Coblation e cirurgia robótica permitem tratamentos cada vez mais individualizados — mas especialistas alertam que não existe uma única solução para todos

Roncar pode parecer apenas um incômodo noturno, mas, em muitos casos, é um dos sinais da apneia obstrutiva do sono (AOS), doença caracterizada por episódios repetidos de obstrução da via aérea enquanto a pessoa dorme.

E o problema pode ser muito mais frequente do que imaginamos. A quarta edição do EPISONO, estudo epidemiológico realizado em São Paulo e publicado em 2026 no Journal of Sleep Research, avaliou 769 adultos com polissonografia e encontrou AOS em 37,1% da população estudada. Entre os homens, a prevalência chegou a 44,9%.

“Isso mostra que não estamos falando apenas de pessoas que roncam. A apneia é uma condição extremamente prevalente e muitas vezes o paciente procura ajuda somente depois que alguém percebe as pausas respiratórias durante a noite”, explica o otorrinolaringologista e especialista em Medicina do Sono Dr. Fernando César Mariano.

Mas onde a garganta fecha?

Essa pergunta está mudando a cirurgia do sono. Uma das ferramentas utilizadas é a sonoendoscopia (DISE), exame realizado sob sedação que permite observar dinamicamente o comportamento da via aérea e identificar os locais e padrões de obstrução.

A partir desse “mapa”, o tratamento pode ser individualizado. Entre os recursos disponíveis está a Coblation, tecnologia que utiliza radiofrequência em meio salino para atuar sobre os tecidos com menor disseminação térmica, característica que pode representar menor agressão aos tecidos adjacentes e, em procedimentos selecionados, favorecer um pós-operatório mais confortável.

A cirurgia com o robô resolve outro desafio: chegar com precisão a regiões profundas e de difícil acesso. Com visão ampliada e tridimensional e instrumentos articulados, o cirurgião consegue trabalhar pela boca em áreas desafiadoras, sem a necessidade de incisões externas. Para pacientes cuidadosamente selecionados, especialmente quando a obstrução está na base da língua, estudos mostram melhora significativa dos índices de apneia e da sonolência

“Não basta procurar a cirurgia mais moderna, mas de identificar o mecanismo de obstrução e escolher o tratamento adequado para aquele paciente. CPAP, aparelho intraoral, controle de peso, terapia posicional e diferentes técnicas cirúrgicas continuam tendo indicações específicas”, ressalta Mariano.

Para o especialista, outro ponto importante é que a população saiba que existe uma área médica dedicada especificamente a esses problemas. A Medicina do Sono reúne profissionais capacitados para investigar ronco, apneia, insônia e outros distúrbios que comprometem o descanso, buscando não apenas melhorar a noite, mas também a saúde e a qualidade de vida durante o dia. “Muitos pacientes com problemas de ronco, apneia do sono e insônia desconhecem que podem buscar tratamento adequado e resgatar sua preciosa qualidade de vida”.

Portanto, a pergunta talvez tenha mudado hoje em dia: em vez de simplesmente “como parar de roncar?”, o primeiro passo parece ser descobrir de onde vem o problema e como ter um tratamento individualizado!

https://www.bemparana.com.br/bem-estar/voce-ronca-o-problema-pode-estar-onde-menos-se-imagina/

Onde minha garganta fecha? Já fiz a polissonografia: preciso fazer uma sonoendoscopia? – Dr. Ronco

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